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Vida o Obra de Arlindo Vicente |
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Biografia Depois foi a defesa desse processo; dele se encarregou o colega Constantino Fernandes. Houve que demonstrar que Arlindo Vicente não era perigoso. Ouviram-se, pois, testemunhas que demonstraram que o país não perigava com a sua existência. Muitos amigos contactados, recusaram, confessando o medo de depor a seu favor. No entanto, perante o então juiz Dr. Almeida Moura prestaram declarações por escrito corajosas personalidades daquela época, algumas até, afectas ao regime. E o processo prosseguiu e sempre preso. Ao tempo deste seu primeiro processo - o de perigosidade - Arlindo Vicente, tomando então a sua defesa na carta dirigida ao Juiz corregedor Almeida Moura, que temos citado, concluiu com frontalidade:
Entretanto, porque se averiguou da inconsistência da acusação de perigosidade, e, assim porque as medidas de segurança de seis meses se aproximavam do fim, a PIDE forjou novo processo, desta vez acusando-o de prática de actos subversivos. Da acusação consta que foi advogado de defesa de elementos do Movimento da Unidade Democrática, que foi candidato a deputado em 1957, que se unira a Humberto Delgado em 30 de Maio de 1958, que subscreveu um pedido para Salazar se afastar e até... acusado de jornais como L'Humanité e Avante terem noticiado a sua prisão! E assim aguardou o julgamento sempre em Caxias, julgamento que teve lugar em 12 e 13 de Julho de 1962, perante os não menos célebres juizes Caldeira e Borges de Castro, do Plenário. Foi condenado a 20 meses de prisão correccional e suspensão dos direitos políticos durante cinco anos, apreensão do material do seu escritório, etc... Durante o período em que esteve preso no Aljube e em caxias e enquanto a PIDE ia inventando diversas achegas para o processo, de convivências com as mais elevadas autoridades judiciais, não se publicaram notícias, excepção feita à observação publicada por O Século, em 1 de Novembro de 1961, em período de eleições para deputados. Estando Arlindo Vicente no Aljube esse jornal relata, numa conferência de imprensa, as condições injuriosas e degradantes em que o Governo de Salazar o tinha encerrado. Não se percebe como essa notícia rompeu a malha da censura. Foi a única sobre a sua prisão. Muitos amigos e conhecidos iam ter com os seus familiares e davam-lhes os pêsames! Mais nenhum jornal houve que comunicasse notícias sobre a sua prisão ou sobre as sevícias de que estava a ser vítima. Ignora-se ainda hoje, de que crime foi acusado, até porque muitos dos factos que lhe atribuíam não eram sequer possíveis no tempo. Saiu doente. Caxias era insalubre e os 'curros' do Aljube arrasaram-lhe o coração. Acrescenta-se que o processo de perigosidade, que o poderia manter eternamente na cadeia, foi determinado e assinado por um antigo condiscípulo em Coimbra e amigo de velha data que, apavorado com a possibilidade de prejudicar a sua carreira profissional, entendeu por bem proceder desta forma.
Que espécie de homens eram
estes que, juizes, se sujeitavam a vender a sua consciência
ao serviço de tribunais ordenados pelas polícias? Texto de Dr. António Pedro Vicente
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