Biografia

 

Nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1800, filho de José Feliciano de Castilho, lente da Universidade de Coimbra e Médico da Casa Real, que foi natural de Tamengos, Anadia.

António Feliciano de Castilho até ao seis anos de idade foi acometido de duas doenças graves, sendo a Segunda a que mais o incapacitou, que foi o sarampo ao qual resistiu mas o tornou invisual. Com esta idade já sabia ler e escrever, com a cegueira, desenvolveu grande capacidade auditiva que se vem reflectir no futuro.

Valeu-lhe seu irmão Augusto Frederico, mais novo dois anos, mas que passou a acompanhar, que estudando em voz alta, contribuiu para que o seu irmão António, adquirisse conhecimentos e seguisse os estudos, vindo os dois a doutorarem-se em Cânones pela Universidade de Coimbra.

Enquanto Augusto Frederico se tornou presbítero, António segue o caminho das letras e é aqui que tem o grande mestre de latim o padre José Fernandes.

Companheiro de seu irmão o acompanhou na sua jornada de presbítero até que em outubro de 1827, foi para Castanheira do Vouga, actualmente concelho de Águeda, aí passando o período da guerra civil e continuou a aprofundar os seus conhecimentos sobre a revolução literária do romantismo.

Foi nesta localidade da Região da Bairrada que António Feliciano de Castilho de entre outros trabalhos escreve os "Mil e Um Mistérios", obra de características regionais.

Em 1834, casou com D. Maria Isabel Baena Coimbra Portugal, casamento que durou apenas dois anos, pois esta senhora faleceu em 1 de Novembro de 1837.

Em 1840, acompanhou seu irmão Augusto, então doente à ilha da Madeira, acabando por ali assistir ao seu falecimento no último dia desse ano.

É na Madeira que vem a casar em segundas núpcias, com D. Ana Carlota Xavier Vidal, senhora dali natural , que viria a falecer em 1871. Deste casamento tiveram oitos filhos.

Em 1846, faz uma breve passagem pela política, como militante do partido Cartista, tendo escrito o panfleto "Choronica Certa e Muito Verdadeira da Maria da Fonte". Foi por esta altura que iniciou também o seu grande empenhamento por aquilo que sempre lutara, a adopção do seu método de leitura, contra o qualç encontrou muitos opositores, mas, teve apoio governativo, sendo nomeado Comissário para a propagação do seu método.

Em 1847, desgostoso com a pouca adesão ao seu método, parte para os Açores, onde permaneceu até 1850.

Em Ponta Delgada escreve o "Estudo histótico-poético de Camões", fundou uma tipografia e fundou o jornal "Agricultor Michaelense" e fundou também a "Sociedade dos Amigos das Letras e Artes", escreveu a "Felicidade pela agricultura", o "Tratado de Mnemónica" o "Tratado de Metrificação" e as "Noções Rudimentares para uso das escolas".

Por sua iniciativa própria foram criadas na ilha, escolas gratuitas, tanto de instrução primária como secundária e ensinou-se pela primeira vez o método de leitura repetitiva.

Em 22 de Fevereiro de 1850, regressou a Lisboa e dedicou-se à aplicação do seu método de leitura de que se editaram duas edições nesse ano e a 3ª em 1853, sendo esta última refundida e acompanhada de vinhetas com o título "Methodo Portuguêz de Castilho". Neste seu empenhamento poderá ter havido excessos, com a publicação de uma carta a todos os Mestres de Adeias e Cidades "Tosquia de um Camelo", em 1853 e "O Ajuste de Contas", em 1854. Neste mesmo ano edita a 4ª edição do Método.

Foi no ano de 1853, que foi nomeado Comissário Geral de Instrução Primária, abrindo cursos públicos Lisboa, Porto, Coimbra e Leiria, destinados à instrução de professores.

Em 1855, deslocou-se ao Brasil, para divulgar o seu método, sendo recebido pelo Imperador D. Pedro V, regressando nesse mesmo ano a Lisboa. Por sua vez o Imperador criou em 1858, as três cadeiras do curso superior de letras convidou Castilho para a cadeira de literatura Portuguesa, que este recusou.

Em 1866, acompanhado de seu irmão José Feliciano de Castilho, deslocou-se a Paris sendo apresentado a Alexande Dumas de que era grande admirador e publicou "Lyrica d’Ana Creonte".

Faleceu a 18 de Junho de 1875.

Adelino Baptista